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Neste fundo de mar me afogo e cedo
A alma à velha nau que me navega
E, tendo revelado o meu segredo,
Recebo o novo dom que ela me entrega
Fascinada por ele, só nele me enredo
E, venha o que vier, nem a refrega
Me faz voltar atrás, cedendo ao medo
Do ciclo da permuta e da trasfega…
Por mais mar que esta minha nau percorra
[pouco me importa que ela afunde e morra;
há sempre um mar que volta e outro que parte!],
Enquanto a velha nau mo permitir
Hei-de perpetuar, neste ir e vir,
Mil conquistas do Tempo pela de Arte…
Maria João Brito de Sousa