VISLUMBRES


View My Stats
Mostrar mensagens com a etiqueta soneto camoniano. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta soneto camoniano. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 9 de agosto de 2011

PASSA POR LÁ UM RIO...



Passa por lá um rio feito de anseios,

De águas mansas, serenas, cristalinas,

Visitado por aves que, em gorjeios,

Vêm beijar as flores mais pequeninas,



Um córrego onde posso, sem receios,

Banhar-me como todas as meninas…

Minh`alma, pouco dada a devaneios,

É nele que encontra aspirações divinas…



Passaram tantos rios e só naquele

Soube o que era sentir, à flor da pele,

A estranha glória de não ter idade



O rio passou e eu já passei com ele

Mas nunca o esquecerei porque foi nele

Que achei, purinha, a minha identidade...







Maria João Brito de Sousa – 05.08.2011 – 15.13h

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A PONTA DO VÉU



Disto, que te não escondo, eu nada nego;
Nem o intenso olhar com que te fito,
Nem, vago, o esgar de dor que quase evito
E que revela o meu desassossego.

Do resto, que não disse, nem delego
Na boca de outro alguém, pois não admito
Que um outro assuma aquilo que foi escrito
No tal modo verbal que nunca emprego,

Do restante - dizia – e dessas letras
Que, em tempos, me ficaram por escrever
Nos papéis que imagino [ou vejo e sinto?],

Surge a ponta do véu que esconde as metas
Que jamais revelou mas, sem saber,
Depois te mostrará que eu nunca minto…


Maria João Brito de Sousa – 29.12.2010 – 19.01h

terça-feira, 3 de agosto de 2010

MARIA-SEM-CAMISA II




Maria-Sem-Camisa, a sabe-tudo,

Aprendeu a falar c`os animais

E não desdenha nunca saber mais

Pois conhece o que diz o que está mudo...



Maria-Sem-Camisa é, sobretudo,

Uma devota ouvinte dos demais!

Entende o que lhe dizem os pardais,

Brinca com a razão onde eu me iludo...



Maria é destemida e eu nem tanto...

Maria nunca mente! Eu já menti...

Maria é bem mais forte do que eu sou!



Maria é o meu EU despido o manto

Que cobre tudo aquilo que senti

Quando a fraqueza humana germinou...




Maria João Brito de Sousa, in POETA PORQUE DEUS QUER

Autores-Editora, 2009

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

PORQUÊ O SONETO CLÁSSICO?

Escrevo desde muito pequenina. Melhor, faço poesia desde muito pequenina. Ainda tenho algumas quadras de quando tinha três anos, anotadas em papéis que o meu avô guardava
na sua secretária vitoriana... que hoje é a "minha" secretária.Coisas poucas, eu sei, mas, quando se tem menos de três anos não é muito comum passear pela casa a fazer"poemas"...
Deixo duas registadas nesta página do blog;

Ó borboleta da noite,
Ó linda do coração,
Ó borboleta da noite
Pousa aqui na minha mão...

Para quem não esteja muito familiarizado com os rigores da métrica, direi que esta quadra
está elaborada em REDONDILHA MAIOR... e eu juro que por essa altura não sabia (ainda) o que isso era!

Se não tivesses filhos
O que é que fazias?
Chorava e cantava
Todos os dias!

Deixemos por aqui as vocações precoces e falemos do soneto camoniano.
Antes de Abril de 2007 não era muito diferente da grande maioria dos "poetómanos" que conheço e, embora a memória me fugisse para um ou outro soneto de Luís Vaz de Camões, Florbela Espanca ou Manuel Maria Barbosa du Bocage, estava convencida de que este tipo de poesia era "coisa do passado".
Não me lembro muito bem de como começou a "paixão", mas recordo-me de ter, subitamente, sentido o irresistível impulso de escrever um soneto. Costumo dizer que me apaixonei por um "soneto por nascer"...
Os primeiros vieram de enxurrada. Trinta e três sonetos (metricamente imperfeitos) plenos do misticismo de um salmo e que registei na Sociedade Portuguesa de Autores sob o título: "O Livro das Horas Convergentes-trinta e três sonetos e uma estrada". Depois do primeiro entusiasmo, aguçou-se-me o espiríto crítico e o perfeccionismo veio ao de cima... os sonetos eram muito bonitos mas não eram, realmente, sonetos. Tinham ligeiríssimas imperfeições métricas, embora o ritmo e a musicalidade estivessem lá...
Alguns puderam ser modificados, outros passaram a registo pois a correcção métrica deturpava-lhes o sentido. A maioria vingou.
De Abril para cá produzi mais de trezentos sonetos camonianos, sobretudo em verso heróico ou heróico com martelo galopado.
E porque se alguém se atreveu a ler este artigo já deve ter adormecido... vou também dormir um pouco.

ESTAR VIVO E VIVER NO MUNDO

Eu escrevo porque... enfim, que hei-de fazer
Se tudo me parece indecifrável,
Se vivo neste mundo inescrutável
Onde a razão das coisas me fez ser?


Ao escrever-me, eu me assumo, sem saber,
Produto de uma força inalcançável
Que vai ganhando corpo e é palpável
Nas palavras que aqui faço nascer...

Há lá maior razão, mais nobre causa,
Que justifique, aqui, os nossos dias?
Viver neste planeta é ser assim!

Criar, a tempo inteiro, sem ter pausa!
(com isenção de impostos e franquias
em troca do melhor que existe em mim...)