
Deste lado do Espelho, sou mulher
Louca e perdida em estranhos devaneios,
À espera do melhor que em mim houver
Sem sonhos, sem limites, nem receios...
Sou Pequena Utopia e, se o quiser,
Serei também mulher de olhos alheios,
Daquela exacta cor que o espelho quer
- violetas reflectindo outros anseios -...
Teclando, de surpresa - até pr`a mim -,
Ficciono a minha imagem sem pudor
E reparto-me em tons que desconheço,
Sem jamais me apartar deste jardim
Onde desabrochou tão louco amor
E onde todos os dias recomeço...
Maria João Brito de Sousa