
… e ria-se das coisas que não tinha
Esquecido, já, das coisas que tivera.
Nas noites de luar, descia à vinha
Para se resolver nos braços de Hera.
Nas galhas da videira se entretinha
Tão nu como se a própria Primavera
Só à nudez legasse uma adivinha
Qual enigma infindável, sempre à espera…
Se chovia ficava num desnorte…
Escorria-lhe o enigma encosta abaixo,
Turbava-se-lhe a noite em desespero
E, louco, maldizendo a sua sorte,
Sentava-se nas rochas, cabisbaixo,
Esperando, exactamente como eu espero.
Maria João Brito de Sousa
IMAGEM RETIRADA DA INTERNET





