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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A CONQUISTA DA FLOR PELA SEMENTE





Lá longe
Ecoa, indómito,
O meu grito,
Fonética estelar
Que eu dignifico
Num jogo universal que não domino

Eu desafio,
Mais do que o razoável
E seguro
Nas letras a que já perdi a conta
Das mil canções que crio e nem procuro

Tudo isto eu devo
E nada mais me move
Ou me norteia
Senão a mesma força que promove
A devoção lunar de uma alcateia

E, sobretudo,
Eu sou,
Como os demais,
Palco e passagem
Dos mil ilusionismos geniais
De uma vontade só, que é divergente,
Qual átomo lançado na voragem
Da conquista da flor pela semente!




Ao lobo que mora em cada um de nós


Maria João Brito de Sousa – 14.11.2010 – 18.19h


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

VELHA NAU



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Neste fundo de mar me afogo e cedo
A alma à velha nau que me navega
E, tendo revelado o meu segredo,
Recebo o novo dom que ela me entrega

Fascinada por ele, só nele me enredo
E, venha o que vier, nem a refrega
Me faz voltar atrás, cedendo ao medo
Do ciclo da permuta e da trasfega…

Por mais mar que esta minha nau percorra
[pouco me importa que ela afunde e morra;
há sempre um mar que volta e outro que parte!],

Enquanto a velha nau mo permitir
Hei-de perpetuar, neste ir e vir,
Mil conquistas do Tempo pela de Arte…


Maria João Brito de Sousa

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O MOSQUITO NA MESA DO CAFÉ II - sonetilho



Inda se fosse um leão,
Uma cobra, um elefante...
Mas... um "monstro" esvoaçante
Com perna longa e ferrão?!

Assustada, exclamo: - Não!
E, em menos de um instante,
Salto da mesa, ofegante...
Palpita-me o coração,

Quase rebenta no peito!
Não sei bem se isto é defeito
Ou se, afinal, é feitio

Mas, quando vejo um mosquito,
Podem crer que eu salto, grito
E anda tudo em corrupio!


Maria João brito de Sousa

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

TER, NÃO TENDO...



Atribuo o que tenho ao que não tenho…
Se tudo tem um preço, este é o meu!
Por mais que vos pareça injusto ou estranho,
Aceitei-o da mão que mo estendeu…

É, portanto, das letras que desenho
E que estendo pr`a vós, qual Prometeu,
Que retiro o Maná que agora obtenho
[quem não colhe da Terra, ordenha o Céu…]

Se, às vezes, sinto a falta de um conforto,
Se a alma se me esgota na labuta,
Se o provento não dá pr`a sustentar-me,

Tenho a compensação do tronco morto
Renascendo da cinza; a própria fruta
Com que havereis, depois, de consolar-me…


Maria João Brito de Sousa – 06.11.2010 – 15.35h

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A PRÓXIMA PARAGEM



A próxima paragem será minha,
Não quero partilhá-la com ninguém…
Devolvo à terra o que da terra vem
E voo em negras asas de andorinha

Se, ao parar, a minha alma se encaminha
Para o que, aqui na Terra, `inda não tem,
Eu paro de vontade e vou por bem
Aonde me levar essa avezinha…

A minha ambiguidade funcional
Aponta-me o caminho e, afinal,
Ainda tenho tanto pr`a escrever…

Talvez seja depois, muito mais tarde,
Que me surja a paragem – Deus me guarde!
[eu sei lá quanto tempo irei viver!...]



Maria João Brito de Sousa

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

UNS TANTOS DE NÓS




Muito além das conquistas ou dos medos,
E dos bens que, pr`a ter, há que comprar,
Das mentiras, verdades e segredos
Que cada um irá, ou não, calar;

Muito além das sereias nos rochedos
[que inventámos tão só para enganar
as fragatas que lançam seus torpedos
quando nenhum de nós quer disparar…]

Apesar das mil coisas que nos prendem
À nossa condição de seres humanos
E que no dia-a-dia nos constroem,

Há uns tantos de nós que compreendem
Que iremos muito além desses enganos
Das “coisinhas” banais que mais nos doem…


Maria João Brito de Sousa

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

PUZZLE II



Devagar se vai longe, alto se voa,
De repente se encontra o já perdido,
Se ri, se grita “até que a voz nos doa”
[…e se esvai, gota a gota, o pretendido…]!

Quanto mais devagar, melhor se escoa
Vosso espanto [por todos desmentido…]
Nessa rua sombria aonde ecoa
Novo Dó musical, mal pressentido…

Longe ou perto se alcança o que, sem pressa,
Pelo amor, pela fé, pela promessa,
Mais se vai destacando entre os comuns

E o Puzzle, construído peça a peça,
Retomando funções, lá recomeça
[muito embora invisível para alguns…]!



Maria João Brito de Sousa