VISLUMBRES


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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

(DES)ARMADOS


Armados da certeza que não morre,
Seremos sempre os filhos da verdade
E, sobre esta injustiça que nos cobre,
Semearemos cravos de vontade!

Armados, desarmados… como seja
Próprio ao desenrolar deste momento,
Anularemos jugo, insulto, inveja,
Daqueles que nos roubaram o sustento!

Cairão sob as armas que não temos
Aqueles que acreditarem que os tememos
E uns tantos que se vendem ao poder

Porque amanhã decerto venceremos
E (des)armados vamos porque cremos
Que quem de amor se armou, tem de vencer!




Maria João Brito de Sousa – 14.02.2012 – 13.38h

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O PRODUTO FINAL DE ALGUNS ANOS PASSADOS A COLHER [também...] OPINIÕES


Como hei-de interpretar tão estranho gesto
De clara discordância e suspeição
Se, no que me respeita, é sempre honesto
Este acto de vos dar - ou não... - razão?

Tudo o que vos disser terá, de resto,
A mesma garantia de isenção;
- De quanta opinião guardar no cesto,
Construirei, mais tarde, opinião...

Se o tempo escassear, duplicarei
Em vontade o que falte às aptidões,
Em perda o que me for escapando em ganho

Mas, enquanto viver, eu escolherei
E irei sempre guardando opiniões,
Sem antes lhes medir força ou tamanho...




Maria João Brito de Sousa - 01.02.2012 - 18.57h

domingo, 8 de janeiro de 2012

O IMENSO MAR DOS SONHOS POR TECER ou metáforas e duplos sentidos


Relembro as velhas asas que não uso

Sobrevoando os medos que não tenho

Neste eixo imaginário em que desenho

Rotas possíveis para o que recuso



E, de asas a adejar, num som confuso

Em que sonho subir, recuo e venho,

Só das asas me sirvo e, se as desdenho,

É porque ser mais livre é ser recluso



E quanto mais no alto, mais rasando

O chão que aqui me vai aprisionando

Nesta terra que sou, mesmo sem ser



E quanto mais me elevo e vou voando,

Mais fundo, muito mais, vou mergulhando

Nestoutro mar dos sonhos por tecer…







Maria João Brito de Sousa – 05.01.2012 -13.13h

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

SONETILHO DO SONHO POSSÍVEL


Andei por todos os cantos

Redescobrindo horizontes,

Vestindo todos os mantos

Das flores de todos os montes



Mergulhei nos rios mais santos,

Rumo à nascente das fontes

Que lhes dão vida, em quebrantos,

Brotando em líquidas pontes



Perfeitamente tangíveis,

De aparência cristalina,

De arcadas quase invisíveis,



Quase à dimensão divina…

[…fui mãe dos sonhos possíveis

de toda e qualquer menina…]









Maria João Brito de Sousa – 01.01.2012 – 15.07h

sábado, 31 de dezembro de 2011

A DEMISSÃO DA PALAVRA



Brotaram, de repente, absurdos gritos
Do eixo da palavra atormentada
Onde os sintomas – todos - são malditos
Prenúncios de revolta estrangulada

À digestão dos ecos mais aflitos
Por excessos duma ceia inesperada,
Somaram-se, por fim, dois sonhos fritos
À privação geral… mas consolada!

A vocalização desconstruiu-se
Na absurda convergência da partida,
E pouco a pouco, a chama consumiu-se

No pavio dessa rima destruída
[a palavra, essa, ergueu-se e demitiu-se
da principal função da sua vida…]




Maria João Brito de Sousa – 25.12.2011 –
22.55h

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

ALENTEJO II


Ó terra de oiro antigo e céu sem fim

Pontilhada de verde e de castanho,

Eu quero-te sem prazo e sem tamanho

Com este querer maior que existe em mim



Terra de ervas e flores, como um jardim

Espraiando-se orgulhoso em mundo estranho,

Subitamente a tela de um rebanho

Que, ao surgir, se nos deixa ver assim



Que o teu povo magoado te acrescente

Os laços sempre férteis da semente

E possa eternizar-te no seu "cante "



Que a tua voz se eleve eternamente,

Que seja sempre livre a tua gente

E que haja em ti fartura a cada instante!










Maria João Brito de Sousa 06.12.2011 - 15.21h

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

UM POENTE DIFERENTE, À BEIRA TEJO - Cavalo desenhado a ferro e fogo


Quis falar do Mondego e, na verdade,

É da foz do meu Tejo que vos falo

E cresce cá por dentro a voz que calo

E conta das saudades sem saudade



Solta-se o sonho oblíquo à claridade

E a linha de horizonte é um cavalo

Que não sei se lá está, se imaginá-lo

É lapso de memória ou se é vontade…



Galopa o meu poente à beira Tejo

Rumo a essas lonjuras que nem vejo

Por estarem tão além do meu futuro



Sobra então, do sonhado, o claro espanto

Do cavalo-solar que aqui levanto

E rasga, a ferro e fogo, um céu já escuro!








Maria João Brito de Sousa – 01.11.2011 – 16.00h