sábado, 16 de junho de 2012
SONETO MAIS OU MENOS DISTORCIDO
Como escrevo um soneto distorcido,
Sem eixo com que possa defini-lo,
Sem forma com que possa distingui-lo
Da prosa mais jocosa ou sem sentido?
Discorro sem que tenha prevenido
O formato, a razão… é só senti-lo
E vêm de enxurrada, ousando um estilo,
Os versos que lhe servem de vestido!
Mas se o corpo me pede algum descanso,
Se a mente me vagueia no remanso
Que o cansaço geral me vai trazendo,
Nem versos, nem canções, nem mesmo ideias…
Só este mar, correndo-me nas veias,
Responde às tais questões que nunca entendo…
Maria João Brito de Sousa – 11.06.2012 – 17.11h
Fotografia de Carlos Ricardo
domingo, 13 de maio de 2012
NA APRESENTAÇÃO DO PEQUENAS UTOPIAS, com a enorme ajuda de EVA e CAMINHOS
O lançamento, em Grândola, no Espaço Garret
O Pequenas Utopias encontra-se à venda aqui
http://www.worldartfriends.com/store/1535-maria-joao-brito-de-sousa-pequenas-utopias.html
... e com outra ajudazinha aqui, na publicação das imagens ;) Obrigada!
sexta-feira, 20 de abril de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
TOURO DE MORTE
Cego de medo e dor, ele nada vê.
Confuso e humilhado, o bicho é cego...
Roubam-lhe a liberdade, o aconchego
De amar a vida sem saber porquê...
Corre o sangue no dorso. Já não é
Da natureza o seu desassossego...
Da vida que viveu com estranho apego
Pressente o culminar... [Olé,olé!]
O público, em histeria colectiva,
Estremece inebriado e grita: -Viva!
Mas é morte que quer e a morte vem...
Ajoelhou o touro e vai morrendo
E eu, que nada fiz mas compreendo,
Ajoelho com ele, morro também...
.
Olé...
Maria João Brito de Sousa - Dedicado à Associação ANIMAL e a todos os toiros que foram barbaramente assassinados para "divertimento" dos humanos.
Confuso e humilhado, o bicho é cego...
Roubam-lhe a liberdade, o aconchego
De amar a vida sem saber porquê...
Corre o sangue no dorso. Já não é
Da natureza o seu desassossego...
Da vida que viveu com estranho apego
Pressente o culminar... [Olé,olé!]
O público, em histeria colectiva,
Estremece inebriado e grita: -Viva!
Mas é morte que quer e a morte vem...
Ajoelhou o touro e vai morrendo
E eu, que nada fiz mas compreendo,
Ajoelho com ele, morro também...
.
Olé...
Maria João Brito de Sousa - Dedicado à Associação ANIMAL e a todos os toiros que foram barbaramente assassinados para "divertimento" dos humanos.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
AS TEIAS QUE O LUAR TECE
Nas teias que o luar tece
Por cima dos pinheirais,
Vez por outra me acontece
Ver longe e ver muito mais,
Mas, de quanto me aparece,
Nunca vi – nunca, jamais! –,
Nessas visões que ele m`oferece,
Razões que fossem normais…
Vi segredos bem guardados
De vontades por escrever
Atrás de mil cadeados
Qu`inda estão por conceber
Nos traços desencontrados
De enigmas por resolver,
Tão estranhamente esboçados
Que eu nunca pude entender
Por que me foram mostrados
Se não pedira pr`ós ver…
Vi, nessas teias benditas
Que o luar teceu pr`a mim,
As mil coisas nunca escritas
Por mãos que fossem assim…
Vi verdades, nessas teias
Que o luar me quis mostrar
E, depois de as ler, deixei-as
Pr`alguém que as soubesse achar…
Vi letras de prata pura
Descrevendo esses pinheiros
Com a toda a casta ternura
Dos seus rebentos primeiros…
Vi a vida que começa
No recomeço da vida!
Vi puzzles, peça por peça,
Sem me apressar na partida
E, como alguém que tropeça
Em causa desconhecida,
Vi tudo a crescer sem pressa
Ou foi-me a vista traída
Tal qual fosse apenas essa
A razão de eu estar perdida,
Sem certezas nem promessa
De encontrar uma saída…
Nas teias que o luar tece
À noite, sobre os pinhais,
Vez por outra me acontece
Ver longe e ver muito mais,
Mas, de quanto me aparece,
Não pude encontrar, jamais,
Nas transgressões que fornece,
Questões que fossem banais…
Maria João Brito de Sousa – 04.04.2012 – 23.13h
Poema submetido a ligeiras emendas em 07.04.2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
SONETO MUSICAL ou Ousar a Melodia
Sobre tudo o que nasça e que se exprima
Em forma do que nunca vos direi,
Desse enigma me basta, eterna, a rima
Pr`a vos falar do muito que eu não sei
E, mesmo que não haja quem redima
Quantas lacunas já por cá deixei,
Que importa se de música se anima
O quanto quis dizer, mas não logrei?
Jamais duvidarei de alguém que entenda
Que ousar a melodia é dar-lhe a voz
Que expressa o seu sentido universal,
Ou que, ao ouvi-la, exulte e compreenda
O quanto dela vibra em todos nós
Se o ritmo que alcançou for musical…
Maria João Brito de Sousa – 02.04.2012 – 14.53h
Em forma do que nunca vos direi,
Desse enigma me basta, eterna, a rima
Pr`a vos falar do muito que eu não sei
E, mesmo que não haja quem redima
Quantas lacunas já por cá deixei,
Que importa se de música se anima
O quanto quis dizer, mas não logrei?
Jamais duvidarei de alguém que entenda
Que ousar a melodia é dar-lhe a voz
Que expressa o seu sentido universal,
Ou que, ao ouvi-la, exulte e compreenda
O quanto dela vibra em todos nós
Se o ritmo que alcançou for musical…
Maria João Brito de Sousa – 02.04.2012 – 14.53h
domingo, 18 de março de 2012
O PREÇO II
Eu pago qualquer preço, a qualquer hora,
Qualquer tempo de vida ou qualquer dor
Se, nestes meus sonetos, puder pôr
Metade do que estou sentindo agora
E se for conseguindo, vida fora,
Escrevê-los cada vez com mais ardor,
Hei-de pagar por eles seja o que for
Sem me queixar dos custos da penhora…
Se um dia fraquejar, se este contrato,
Rigoroso e levado ao preço exacto,
Não for cumprido como deixo escrito,
Não será porque fique mais barato
Um poema qualquer que, sendo ingrato,
Vos possa desmentir quanto foi dito…
Maria João Brito de Sousa – 17.03.2012 – 20.52h
Qualquer tempo de vida ou qualquer dor
Se, nestes meus sonetos, puder pôr
Metade do que estou sentindo agora
E se for conseguindo, vida fora,
Escrevê-los cada vez com mais ardor,
Hei-de pagar por eles seja o que for
Sem me queixar dos custos da penhora…
Se um dia fraquejar, se este contrato,
Rigoroso e levado ao preço exacto,
Não for cumprido como deixo escrito,
Não será porque fique mais barato
Um poema qualquer que, sendo ingrato,
Vos possa desmentir quanto foi dito…
Maria João Brito de Sousa – 17.03.2012 – 20.52h
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