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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

SONETO À MINHA LOUCA, LOUCA INSPIRAÇÃO

Venho tarde e más horas porque venho
De um momento lunar que desconheces…
Sou o fio dessa teia em que te teces
Há mais do que a noção que tens de “antanho”…

Se firo, como febre ou corpo estranho,
Alheia a ser um mal de que padeces,
Desprezo o rumo ao tom das tuas preces
E confesso-te aqui quanto as desdenho!

Matéria, antimatéria… o que me importa
Se permaneço em ti, me quedo absorta
Pr` assombrar-te depois, sem mais razão,

E se, às vezes, me julgas quase morta,
Sem sequer te avisar, te arrombo a porta
Que usaste pr`a fechar-me o coração?



 Maria João Brito de Sousa – 18.12.2012 – 02.47h

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

PUZZLE II



Devagar se vai longe, alto se voa,
De repente se encontra o já perdido,
Se ri, se grita “até que a voz nos doa”
[…e se esvai, gota a gota, o pretendido…]!

Quanto mais devagar, melhor se escoa
Vosso espanto [por todos desmentido…]
Nessa rua sombria aonde ecoa
Novo Dó musical, mal pressentido…

Longe ou perto se alcança o que, sem pressa,
Pelo amor, pela fé, pela promessa,
Mais se vai destacando entre os comuns

E o Puzzle, construído peça a peça,
Retomando funções, lá recomeça
[muito embora invisível para alguns…]!



Maria João Brito de Sousa

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ENQUANTO A MINHA TERRA VAI ARDENDO...




Enquanto a minha terra se incendeia,
O enlutado céu se vai doirando
E, à pressa, se evacua uma outra aldeia
De que as chamas se vão aproximando,

Brilha em mim, de repente, estoutra ideia
E, sem me arrepender, vou escrevinhando.
Na minha terra, o fogo vai lavrando
E, em mim, é outra a chama que se ateia…

E, sem remorso algum - porque inocente… -,
A pequenina chama dos poemas
Já lavra no meu peito e vou escrevendo…

Não me apodem, contudo, de indiferente!
Eu apenas resolvo outros problemas
Enquanto a minha terra vai ardendo…



Maria João Brito de Sousa – 12.08.2010 -22.07h

sexta-feira, 16 de julho de 2010

FASES DA LUA




Abreviei-me, enfim, em lua-nova,
No solitário azul deste meu céu...
No sonho que o estar-só me prometeu
Olhei o Universo e pus-me à prova...

À prova de mim mesma, do cansaço,
Das coisas que magoam luas-cheias
Neste palco lunar das mil ideias
Preenchendo lacunas de outro abraço...

Abreviada, já nem sou visível
E transformo em luar cada impossível
Numa constelação pré-fabricada...

Mas muda o tempo as fases de uma lua
E assim, despida, eu fico de alma nua...
Quem imagina a lua envergonhada?