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sábado, 15 de dezembro de 2012

SEXTILHAS A UMA ESTIRPE PARTICULARMENTE VIRULENTA

É só um Coli, senhor,
Mas provoca uma tal dor,
Tanto ardor, tanta agonia,
Que parece um ditador
Traçando um plano invasor
Que a Merkel lhe invejaria!

Estando já pronta a cultura,
Na caixinha de Petri,
Mostrou ser estirpe sem cura,
Uma entendida em tortura
Que, acima de tudo, jura
Haver de instalar-se aqui…

Tem seu jogo arquitectado;
Dar-me conta da paciência
E ir-me às poupanças de Estado!
Em despesas de mercado
Foi um ror que, bem contado,
Cobriria outra emergência!
Nem com cefalosporinas
De terceira geração,
Benurons, chás, aspirinas,
Cortisol, balas e minas,
Mezinhas, grossas ou finas,
Ele aceita a rendição!

É só um Coli, vos juro,
Mas porque é que me não curo,
Porque é que o estranho ocupante
Não morre, redondo e duro,
Por aí, num canto escuro,
E prossegue triunfante?

Coisas deste imperialismo
Que anda pr`aí a grassar…
Ocupando um organismo,
Boicota-lhe o mecanismo
E aproveita o conformismo
Para a vida lhe sugar…
Pobres das minhas defesas!
Meu sistema imunitário
Caiu no rol das tais presas
Que nem revoltas, nem rezas,
Nem poemas, nem certezas,
Livraram de tal fadário!

Um Coli, simples, banal,
Que, em desgoverno total,
Me devassa a conjuntura
E ascende, em modo imperial,
Ao despudor infernal
De me impor tal ditadura!!!



Maria João Brito de Sousa – 09.12.2012 – 11.54h


NOTA - Este poema baseia-se numa infecção real  e sofrida, no presente, pela autora. Quaisquer semelhanças com o momento político que o nosso país, ou qualquer país europeu, atrevesse, é mera coincidência...

6 comentários:

Rogério Pereira disse...

Tirando o Coli e a Merkel
A maleita que te espreita
Seria bem passageira
Com chá, bagaceira e mel


Assim, ai de mim
Não sei como te acudir
Nunca vi coisa assim
Nem eu sei o que vai vir

Olha... as melhoras
Pois se não melhorares
Pioras!

Me assino

La palisse

Maria João Brito de Sousa disse...

:D Pois... também me parece, Rogério, eheheheh...

Mil abraços!

Papoila

Maria disse...

A tua capacidade de versejar é imensa! Até um coli te inspira...

:)))))
Beijo.

Maria João Brito de Sousa disse...

:) Obrigada, Maria! Não cura, mas garanto que alivia... pelo menos durante umas horitas...

Abraço grande!

Nilson Barcelli disse...

Impressionante...
Fazer poesia a uma infecção sofrida, é obra.
Para além disso, o poema é excelente.

O poema que publicaste depois deste também é mag nífico, mas não dá para comentar...

Maria João, querida amiga, desejo que tenhas um Feliz Natal, extensivo aos que te são mais queridos.

Beijo.

Maria João Brito de Sousa disse...

Nilson, muito obrigada pelas tuas palavras! :)

Não faço a menor ideia do que se possa ter passado com os comentários do meu "soneto à minha louca, louca inspiração"... eu nunca objectei a comentário nenhum e nem sequer ando a fazer "pesquisas" nas ferramentas do blog... é estranho... peço desculpa, mas não sei porque será...

Que tenhas um Natal muito feliz e um 2013 cheio de saúde e criatividade!

O meu abraço!!!

Maria João