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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

ESPERO-VOS...

Espero-vos
na imprevisibilidade
do tempo por vir,
à esquina do acaso que encontrar,
porque nada em mim é menos imenso
do que este espanto de vos saber alheios…

Serena,
percorri os intervalos
entre cada compasso dos minutos
enquanto os anos se dignavam
desenrolar um imenso novelo de memórias
ao longo do qual,
coloridos e  suspensos como jardins,
os dias floresciam
no vivo silêncio dos cinco sentidos

Ano após ano,
Fui colhendo os frutos da alegria
exactamente de aonde  a desdenhais
e dissolvi-me
no mais profundo dos sonos
sabendo que o medo me temeria a mim…

Sou,
límpida e solidamente,
aquilo que fui tecendo,
sonho a sonho,
numa imensidão de esperas…
como a vossa,
como as dos outros,
como as dos que acreditam
na construção de um rumo,
na despojada escolha de um devir qualquer…

Esperar-vos-ei
na imprevisibilidade da cada esquina,
na indefinição do tempo que restar,
no limiar da vossa insultuosa indiferença,
no reacender de cada um dos vossos medos,
no segredo inconfesso das vossas insónias
ou na (des)construção de um palco controverso
onde ninguém saiba de cor o seu papel
e onde jamais se erga a voz sumida do “ponto”!


Fá-lo-ei – ou talvez não… -
ainda que nada em mim seja menos visível
do que este espanto de vos saber alheios…





Maria João Brito de Sousa – 01.11.2012 -21.08h

10 comentários:

Rogério Pereira disse...

É um poema belo e necessário
Esperemos seguindo em frente
Com o espanto
por quem tarda tanto

A impaciência é reaccionária
por descrente
Esperemos, seguindo em frente

Maria João Brito de Sousa disse...

Sempre, sempre em frente, Rogério!

Obrigada e um abraço grande!

Um brasileiro disse...

Oi. Tudo bem com você. Estive aqui dando uma espiada e olhada e lida. Gostei. Muito interessante. Apareça por la. Abraços.

Maria João Brito de Sousa disse...

Grata pela visita, amigo Brsileiro!
Com certeza! Com muito gosto farei uma visita ao seu espaço!

Abraço!

O Profeta disse...

São mudas as neblinas nesta ilha
É de pobreza o pão que alimenta o meu sentir
Oiço o mar com os meus próprios dedos
Parti do desencontro dos meus derradeiros medos

Parti e deixei no cais mil dúvidas
Lembrei tempos que corri feliz pelas amoras
Nesses dias bebi sofregamente a vida
Nesses dias a minha alegria era incontida

Uma radiosa semana


Doce beijo

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Profeta, por este poema a enriquecer o meu Pekenasutopias!

Um abraço grande!

Maria Luisa Adães disse...

Adoro quando escreves desta maneira!

Muito bom!

Beijos,

Mª. Luísa

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Maria Luísa!
Nem sempre me saem em verso branco... não sei porquê, mas continuam a vir muito mais em soneto...

Abraço grande, amiga!

rosa-branca disse...

Olá amiga, passamos a vida na espera, ora de uma coisa ora doutra. Esta espera é maravilhosa. Amei de verdade. Beijos com carinho

Maria João Brito de Sousa disse...

Muito obrigada, Rosa Branca! Um abraço grande!