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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

NAVALHA OBLÍQUA EM BECO SEM SAÍDA - Em soneto de nove sílabas métricas

É tão crua esta oblíqua navalha
Que apunhala os sentidos da gente,
É tão suja, é tão vil que não falha;
Assassina e… disfarça, inocente!

Se debalde lhe foge a canalha
Que afinal lhe foi sempre indiferente,
Ela fixa, encurrala e estraçalha
Cada um dos que em fuga pressente…

Mas que importa a navalha cruenta
Do poder que nos quer degolar
Se outra força imperiosa argumenta

Numa voz que até mortos sustenta
E nos diz que é morrer ou lutar
Se, à traidora, nem sangue a contenta?




Maria João Brito de Sousa – 22.11.2012 – 01.48h



IMAGEM - The Charnel House - Pablo Picasso 1944/45

4 comentários:

Rogério Pereira disse...

Editei-te no meu blogue, e fiz link

Maria João Brito de Sousa disse...

Ahhhh... :) Obrigada!

Lídia Borges disse...


Encontrei o soneto no espaço do Rogério e não pude deixar de a vir felicitar por tão incisivo poema.

Um beijo

Maria João Brito de Sousa disse...

Muito obrigada, Lídia!
Um enorme abraço para si!