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quarta-feira, 31 de julho de 2013

SONETO DO PRODUTOR EXPLORADO

Aos operários das fábricas e aos trabalhadores de todo o tipo de serviços. Aos trabalhadores da terra e do mar. Aos operários da palavra, da voz, do gesto e da cor.
A todos os silenciados e explorados.


SONETO DO PRODUTOR EXPLORADO

(Em decassílabo heróico)


Eu que ergui, pelas veias das cidades,
Sentinelas de pedra e de aço puro,
Que conquistei, a pulso, as liberdades
E asfaltei, com suor, cada futuro,

Eu que paguei, com sangue, as veleidades
Que registei na cor de cada muro
E sigo em frente e moldo eternidades
A partir do que engendro e não descuro,

Não mais hei-de evocar forças ausentes!
Liberto o grito, preso entre os meus dentes,
Que irrompe deste barro em que me sou

E arrancarei, de mim, quantas correntes
Me prendam à mentira, ó prepotentes
Senhores do que julgais que vos não dou!



Maria João Brito de Sousa – 30.07.2013 – 18.58h



IMAGEM- "Força" , José Viana, óleo sobre tela
Imagem retirada da página  URBANO TAVARES RODRIGUES - Escritor


Nota da autora - Um soneto que nasceu... porque "tinha de ser"...

12 comentários:

AC disse...

Não podemos fingir que não é connosco, não podemos ignorar...
Grande soneto, Maria João!

Beijo :)

Maria João Brito de Sousa disse...

Não, AC! Não podemos mesmo ignorar!

Obrigada! Beijo!

Mel de Carvalho disse...

Como o AC diz, e muito bem, não podemos ignorar. quem produz não pode ser, jamais, aquele que alimenta os que, sem qualquer pingo de dignidade, o parasitam até à medula.
basta, pois!!!

obrigada MJoão.
Abraço amigo

Mel

Mar Arável disse...


... e assim se escreve de punho erguido
mesmo que a voz nos doa

Bjs tantos

Maria João Brito de Sousa disse...

Um abraço grande, Mel de Carvalho!

Maria João Brito de Sousa disse...

Assim se vai erguendo o punho possível, Mar Arável...

Abraço!

heretico disse...

soneto apontado ao Futuro!

empolgante. e formalmente muito belo.

beijo

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Heretico! O meu abraço!

Maria Emilia Moreira disse...

Olá M. João!
Mais um hino de louvor e de respeito por quem trabalha afincadamente e é tantas vezes "esquecido e mal pago".
Admirável soneto.
M. Emília

Maria João Brito de Sousa disse...

Olá, de novo, Maria Emília! :-)

Estive no seu "Mãos de Luz" e... tem mesmo umas "mãos de luz"!

Abraço!

São disse...

Estupendo, estupendo poema.

Conheço a página de Urbano, mas não sei como comentar lá...

Que a sua saúde melhore, Maria João.

Maria João Brito de Sousa disse...

Eu consigo... vou-me abstendo porque prefiro só falar quando tiver alguma coisa importante para dizer... mas isso é estranho, São... é uma página muitíssimo interessante e aberta a comentários!