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terça-feira, 11 de junho de 2013

VIVER ATÉ AO FIM


(Soneto em decassílabo heróico)

Mal se te apague esse último imbondeiro
Em horizonte incerto, agonizando,
Entenderás que a morte foi tomando
Tudo o que a vida te ofereceu primeiro

Sem que te concedesse um só roteiro,
Sinopse ou mera guia de comando
Do tempo incerto que em te foi gastando
Sem dar-te contas de um tal cativeiro…

Só sabes que há-de vir, que a todos calha
A hora de, envergando uma mortalha,
Voltar ao barro cru que tanto amaste

Mas, por cada segundo em que ela falha,
Aproveita! Inda é vida a mão que espalha
Sementes sobre um chão que antes lavraste…


Maria João Brito de Sousa – 09.06.2013- 15.18h




IMAGEM . "Essência" - Maria João Brito de Sousa, 1999

30 comentários:

AC disse...

Maria João,
Quando lia o seu maravilhoso soneto veio-me, de imediato, um poema de Torga à memória:

De seguro,
Posso apenas dizer que havia um muro
E que foi contra ele que arremeti
A vida inteira.
Não, nunca o contornei.
Nunca tentei
Ultrapassá-lo de qualquer maneira.
A honra era lutar
Sem esperança de vencer.
E lutei ferozmente noite e dia,
Apesar de saber
Que quanto mais lutava mais perdia
E mais funda sentia
A dor de me perder.

Obrigado pelo momento,
Abraço

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, AC! Gosto muitíssimo da poética do Torga! Muitos terão a impressão de que ele era um pouco rude... nunca o vi assim, nunca o senti assim... bem sei que era muito pequenina e que crescia ao lado de outro nortenho, também ele um pouco rude, para alguns...

Vou até aí!

Rogério Pereira disse...

Na filigrana das palavras
o metal perde o valor e ficam apenas elas, com o peso certo, para serem colocadas religiosamente no colo de quem as merece em vida.

Ouro branco? Sim, daquele branco escurecido por tanto ter vivido...

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Rogério! Muito obrigada!

Vou até aí!

Mar Arável disse...

Não há princípio nem fim

tudo se move

se as águas não se vergarem

Bj

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Mar Arável!

Abraço grande!

Eduardo Leblanc disse...

Viver até ao fim porque a vida...
Oh!... a vida essa coisa tão bela!
Eduardo Leblanc.

Maria João Brito de Sousa disse...

Bela, com efeito... até porque nada de nada conhecemos para além dela...


Saudações!

Lídia Borges disse...


Como uma luz amanhecida, contra qualquer forma de escuridão.
Sábia, bela!...

Beijo meu

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Lídia! :) De momento, confesso-me "atropelada" por burocracias e outros problemas da vida real... e nada melhor de saúde... quase nada faço por aqui.


Beijo!

O Puma disse...

Levantados do chão

Maria João Brito de Sousa disse...

Talvez, Puma, talvez... mas reporto-me apenas à frase. Nunca tive a oportunidade de ler a obra inteira... mal comecei, tive de interromper a leitura por questões muito alheias à minha vontade.

Abraço!

Maria Luisa Adães disse...

Mª. João

Não sei que dizer! O poema é lindo e de ti vem a beleza clássica que não encontro na Net.

Esquecer impossível! Mas muitos estão a desaparecer...Eu entendo!

Mas não deixo de pensar nas palavras que disseste
que são o contrário do que estás a fazer!

E me interrogo - porquê?
Será que tens um trabalho a fazer no mundo real? E se assim for, melhoras tua forma de viver.

É a única razão que encontro e aceito, aliás aceito de qualquer forma, mas me magoa a tua ausência!

Este mundo leva e o que traz não é melhor!

Eu continuo com problemas de saúde a resolver e é tudo difícil!

Mas luto e continuo a lutar e até talvez, abandone este lugar.

Espero e não tomo decisões finais!

Mas tinha razão ao acabar, sem acabar, o sapo.
Só se acaba, quando o sentir é mais forte do que tudo.

Um beijo e obrigada,

Maria Luísa

Maria João Brito de Sousa disse...

Seria um excelente sinal, se eu estivesse em condições de ter um emprego na vida real... mas não estou, Maria Luísa...

Apenas a saúde a piorar e um ambiente de enorme confusão, aliados a uma série de problemas que terei mesmo de resolver, me afastaram das publicações. Mas virei até cá sempre que esta luta pela sobrevivência mo permita, amiga. Garanto-to!

Abraço grande!

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

O que a terra nos dá vai ser cobrado no fim do fim, por isso enquanto aqui estamos devemos viver todos os dias com esperança.
Como sempre fico sem palavras para comentar o BELO.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Sonhadora!

Abraço grande!

AC disse...

Passei para lhe desejar um bom fim-de-semana.
(Para quando um novo soneto?)

Beijo :)

Maria João Brito de Sousa disse...

:) Um bom fim de semana, AC!

Nem eu sei se haverá mais algum soneto... quando, em incontida sucessão, começaram a avolumar-se os problemas (nacionais, mundiais e pessoais) decidi não voltar a publicar. O que eu não sabia - ainda... - era que a realidade se me imporia com uma força tal que tornaria obsoleta a minha decisão... pura e simplesmente, não voltei a sentir a compulsão de escrever poesia. Com o passar do tempo, vim e compreender que tinha a atenção demasiado concentrada no momento político-social que estamos a viver. Houve um qualquer desequilíbrio de energias e deixei de sentir os sonetos "correrem-me nas veias".
Também tenho a noção de ter escrito demasiado, de forma excessiva, até... talvez um "intervalo" me venha a ser benéfico. Tudo o que posso garantir é que preciso de respeitar este "período de abstinência poética" que a vida, de alguma forma, me impôs. Já experimentei escrever sem o "combustível" da necessidade imperiosa e o resultado foi um ou outro poema de terceira - ou quarta... - categoria... demasiado mauzinho para me fazer mudar de opinião quanto às eventuais novas publicações.

Fico grata pela visita, AC! O meu abraço!

heretico disse...

carpe diem...

belo.

Maria João Brito de Sousa disse...

Sempre, Heretico! :) E sempre da forma que me parecer mais útil, mesmo que rasando a inutilidade, caso não haja mesmo alternativa.


Abraço!

António Jesus Batalha disse...

Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
decerto que virei aqui mais vezes.
Sou António Batalha.
Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

Maria João Brito de Sousa disse...

Grata pelo comentário e visita, António Batalha.

Para ser muito sincera, este blog está, muito provavelmente terminado. Ficará aberto - espero eu... - enquanto eu por cá andar, mas está "parado" há já algum tempo por indisponibilidade física da autora - eu... - e por sua/minha absoluta e imperiosa necessidade de se distanciar do tema.
Tentarei, ainda hoje, visitar o seu blog e não irei garantir que se não venham a criar as condições mínimas necessárias à boa poesia. Se isso vier a acontecer, o blog continuará.

O meu abraço.

Maria Luisa Adães disse...

E o momento é solene
Abre as asas corre
E sente o vento
Nessa terra que foi semeada...

E talvez tenha tido girassóis
que olhavam o Sol!

Lindo!

Maria luísa

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Maria Luísa.

Continua a ser este o soneto com que dei por terminados os blogs, mas... talvez venham, um dia, a reunir-se as condições absolutamente necessárias à publicação. Conforme te disse, pouco ou nada sei quanto a isso. Para já, dedico o meu tempo à pesquisa e revisão/reformulação de uma boa quantidade de sonetos que virão a ser publicados no portal da Fénix, a convite da Carmo Vasconcelos e do Henrique L. Ramalho. Descobri, entretanto, que o trabalho de revisão poética consegue ser muitíssimo mais minucioso e demorado do que o da própria produção... sobretudo nas actuais circunstâncias de que já te falei.

O meu abraço!

rosa-branca disse...

Olá amiga, fiquei deliciada com o seu soneto tão belo. Adorei. Beijos com carinho

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Rosa Branca!

Talvez seja o último poema deste blog... deixei de ter as condições mínimas para a criação e publicação de poesia (a sério). Continuo a responder a dois amigos que me comentam em sonetilho... mas tenho a noção de que são poemas de má qualidade, os poucos que vou criando ultimamente...

Abraço!

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

Espero que não seja o último poema, porque quem escreve assim não o deve deixar de fazer.
Agradeço a visita carinhosa e deixo um beijinho com carinho e admiração.

Sonhadora

Maria João Brito de Sousa disse...

Agradeço, Rosa Maria! :)

Comprometo-me a tentar que este não seja o meu último soneto, mas não posso garantir que, nas actuais circunstâncias, isso venha a ser possível... de momento e desde há mais de um mês, não tenho escrito praticamente nada...

Abraço grande!

Luciana Leal disse...

Olá, adorei o seu blog, ao ler alguns posts, vi que você é uma pessoa esforçada que só quer falar e ser ouvida na blogosfera, assim como eu. Posso dizer que gostei muito do que li, vc tem um potencial enorme e sei que será um grande blog de fácil entendimento e conteúdo gostoso de ler. Sou Luciana Shirley do blog http://coisasecoisasdalu.blogspot.com.br/ se desejar me visite e siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

Maria João Brito de Sousa disse...

Grata pela visita!

Não serei exactamente "uma pessoa esforçada que só quer "falar e ser ouvida na blogosfera", Luciana. Sou uma sonetista competente que durante cinco anos e meio deixou, neste e noutros espaços da blogosfera, mais de mil sonetos em língua portuguesa. A necessidade de "ser ouvida" não me traria a estas plataformas se não estivesse segura da qualidade do que publico. De qualquer forma, deixaram de estar reunidas as condições mínimas para a publicação. É bem possível que este tenha sido o meu último soneto publicado online.

O meu abraço!