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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A TODOS OS ARTISTAS PORTUGUESES QUE RESISTEM E SOBREVIVEM A ESTE ANO DE TODAS AS INJUSTIÇAS

(Soneto em decassílabo heróico)

Num traço, redesenho este universo
Ao meu jeito de bicho inacabado
Mas travaram-me o traço mal esboçado
Como a mentira entrava o polo inverso…

Do que me sobra, culminando em verso,
Retiro, peça a peça, este legado
Que aqui sirvo, bocado por bocado,
Na refeição comum de um tempo adverso…

Assim, do ousado rumo em que me invento,
Eu cobro, à Poesia, esse sustento
Das horas de ser carne e sangue e sonho

E mais vos não sei dar, nem tenho alento
Pr`a obra que me exija mais talento
Do que em tão estranho gesto agora ponho…


Maria João Brito de Sousa – 04.02.2013 – 19.25h

IMAGEM – Fotografia de Manuel Ribeiro de Pavia, nome artístico do artista plástico alentejano, Manuel Ribeiro, tirada por António Pedro Brito de Sousa, meu pai.

21 comentários:

Rogério Pereira disse...

Fosse a história escrita em verso
e este poema seria um documento
deste nosso tempo (e será)

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Rogério!

Desculpa-me as ausências mas não estou mesmo nada bem e ainda hoje terei de voltar ao hospital. Não consigo ficar concentrada mais do que uns minutinhos no que leio e escrevo...

Abraço grande!

Lídia Borges disse...


Já aqui deixei expressa a minha admiração pela inequívoca qualidade que sobressai dos textos.
Agora, deixo a minha solidariedade relativamente à causa que está na base deste soneto.

Não pude deixar de ler a sua resposta ao Rogério, pelo que, deixo votos de uma rápida recuperação.

Um beijinho

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Lídia!

Ainda não me sinto nada bem mas acredito ainda poder vir a retomar o meu ritmo de publicação, respostas e leituras...

Beijo!

José Auzendo disse...

Desejo-lhe rápida recuperação, Maria João. Fiquei preocupado ao sabê-la doente. Um abraço
Auzendo

Maria João Brito de Sousa disse...

Muito obrigada, amigo Auzendo.

Tenho doença degenerativa crónica e, neste momento, as coisas complicaram-se muito ao nível das tensões arteriais... e não posso mesmo "abusar" porque, ao mais pequeno esforço, elas disparam para valores altíssimos...

O meu abraço!

Nilson Barcelli disse...

Talento não te falta.
Este soneto é mesmo excelente.
Parabéns pela qualidade do que escreves.
Maria João, querida amiga, tem um bom fim de semana.
Um abraço.

Luís R Santos disse...

Olá, Maria João. Venho aqui regalar-me com mais um óptimo soneto. Tema pertinente envolto por ricos adornos. Parabéns.

heretico disse...

felizmente que ainda existem artistas e poetas com os pés na terra.

e as mãos moldando o barro da vida.

belo momento de poesia.

beijo

José Auzendo disse...

Olá Maria João

Como calculará, não fazia ideia do que me diz sobre a sua saúde...Acho que nem faço ainda.

Bem gostaria, agora, de lhe falar deste seu soneto, mas dizer o quê que não tenha já sido dito? Vou "chatear" o seu amigo Rogério Pereira: mesmo não sendo a história escrita em verso, este seu poema será um documento deste nosso tempo adverso.

E, eu sim, mais não sei dizer, nem tenho talento.
Auzendo

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Nilson!

Um abraço grande enquanto aí não dou um pulinho :)

Maria João disse...


Esta é a arte e o engenho
de fazer do grito a própria ave
e à palavra dar a vida e o empenho.

Obrigada, Maria João, por ser poeta e me dar o privilégio de a ler.

Um beijinho e os votos de rápidas melhoras.

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada e o meu abraço, Luís Santos!

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada e um abraço grande, Heretico :)

Maria João Brito de Sousa disse...

Muito obrigada, amigo Auzendo. Já me começava a habituar às dificuldades na locomoção mas é um pouco mais difícil habituarmo-nos a estas tensões muito altas quando elas não cedem à forte medicação que fazemos há anos. Só espero que seja uma crise e que em breve possa retomar o meu ritmo nas publicações.

Um abraço grande!

Maria João Brito de Sousa disse...

Muito obrigada, Maria João, por essa frase tão bonita e tão cheia de vida :)

Um grande beijinho!

Mar Arável disse...

Poesia ao vivo

Belíssimo

Maria Luisa Adães disse...

Mª. joão

Poema de grande qualidade.

Te felicito!

Mª. Luísa

Maria Luisa Adães disse...

Esqueci-me de dizer e com muito gosto por o fazer :

Classissismo puro!

Amei!

Mª. Luísa

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Maria Luísa, por ambos os comentários!
Vou tentar, ainda hoje, trazer até cá aquele auto-retrato meio carnavalesco... mas está tudo tão instável - da tensão arterial à ligação... - que não posso prometer nada... cada separador leva imenso tempo a abrir e toda a imagem começa a tremer...

Abraço grande!

Maria João Brito de Sousa disse...

Grata, Mar Arável!

Vou pedindo desculpa pelo atraso... as condições físicas pioraram sensivelmente e estive mais de três dias sem computador... não me está a ser muito fácil encontrar os vossos comentários nestas "apinhadas" caixas de correio electrónico...

Abraço!