VISLUMBRES


View My Stats

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

AUTO RETRATO CARNAVALESCO... OU QUASE...

Magriça, olhar tranquilo, um dente em falta,
Loquaz no gesto largo e comedido
É qual gato de rua em chão perdido
Que age as mui raras vezes que s`exalta...

Porém nunca ofensivo dela salta
Insulto qu`anteceda um desmentido
Por falta de razão, por sem sentido,
"Tramar" ,à revelia, alguém "da malta"...

Assim se viu num dia em que acordou
Disposta a confessar-se e lhe faltou
Suporte digital em que o fizesse

E desta folha branca se apossou
Lavrando nela os versos que encontrou
Pr`a descrever-se em tom que lhe aprouvesse...




Maria João Brito de Sousa - 11.02.2013 - 12.21h

18 comentários:

Lídia Borges disse...


É caso para dizer que fértil é o branco onde germinam tais versos.

Um beijo

José Auzendo disse...

Como melhor não sei dizer, vou roubar o pensamento da Lídia Borges e fazê-lo meu...Mas acrescento a "tais versos", os riscos "carnavalescos" do desenho inspirado...

Se calhar vou fazer algo imperdoável. Enviaram-me há dias um poema de Cora Coralina. Vou pôr aqui um bocadinho dele, pareceu-me apropriado:

"Daí, esta cinza que me cobre…
Este desejo obscuro, amargo, anárquico
de me esconder,
mudar o ser, não ser,
sumir, desaparecer,
e reaparecer
numa anónima criatura
sem compromisso de classe,
de família"

Auzendo

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Lídia!

Vou até aí e deixo o meu abraço!

Maria João Brito de Sousa disse...

Gosto muito de Cora Coralina, amigo José Auzendo! Muito obrigada!
Não lhe posso dizer que me reveja nesse poema que deixa perpassar uma tremenda angústia, uma imperiosa necessidade de "fuga" e ressurreição, mas compreendo-o muitíssimo bem... ou julgo compreendê-lo...

Penso que o seu perfil me conduz ao Google+ e confesso-lhe que me não sei "mover" por lá, nem tenho, de momento, disponibilidade temporal para tentar iniciar outra aprendizagem... peço desculpa por não poder retribuir a sua visita...

Há, por aí, inumeráveis páginas às quais fui sendo "adicionada" e que, muito humanamente limitada, nem sequer consigo visitar...

O meu agradecido abraço!

M. João

José Auzendo disse...

Maria João

Obrigado pelas suas palavras, pelo menos por não se ter zangado comigo. Eu só há pouco tempo soube dessa espantosa mulher, Cora Coralina...Pesquisei um pouco e fiquei a saber algo...muito pouco. Mas uma amiga minha, brasileira a viver aqui perto, admira-a muito, sabe "tudo" dela, e enviou-me esse poema por mail. E pareceu-me adequado só porque a Maria João também sentiu necessidade de sumir, desaparecer num desenho "carnavalesco", para depois reaparecer em em poema de classe.

Votos de que "regresse" toda brevemente.

Auzendo

Maria João Brito de Sousa disse...

E é esse o seu ponto de vista, a sua perspectiva... mas porque me haveria da aborrecer consigo? Foi essa a sua leitura deste conjunto "imagem-poema" e tem todo o direito a ele... mas o soneto, do meu ponto de vista, é que é algo carnavalesco... o desenho, embora possa parecer um tanto ou quanto caricatural, é uma forma muito genuína de exprimir um escorço, ou perspectiva... de uma representação de mim mesma... a perspectiva, quer do ponto de vista geométrico e visual, quer do literário, pode sofrer - e é naturalíssimo que sofra! - infindáveis alterações... além de ser um tema que alguns abordam de forma muito ligeira... aqui, neste desenho, apresenta-se sem qualquer tipo de "vergonhas" ou "fugas", sujeita à distorção que aquele instante lhe proporcionou, através de mim, claro. Nasceu-me de um momento de afirmação, não de fuga. Só isto posso garantir porque posso evocar com todo o rigor o estado de espírito com que o desenhei... mas penso que é a primeira vez que falo disto... se alguma vez o fiz, não consigo recordá-lo...

Também não sei muito sobre Cora Coralina... já tinha encontrado, por aí, um ou outro poema dela e tive oportunidade de ler uma série de magníficos poemas de sua autoria no http://expressaomulherblog.com.br/

É um blog que vale mesmo a pena visitar, amigo Auzendo!

Obrigada pelas suas palavras e por deixar a sua opinião-perspectiva!


Maria João

Nilson Barcelli disse...

Tu és uma poeta de mão cheia.
Foste brilhante.
Parabéns pela excelência das tuas palavras.
Não há exagero, atenção. Estou apenas a dizer o que sinto depois de te ler e reler...
Maria João, minha querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, Nilson!

Um grande, grande abraço para ti, amigo, e que tenhas um excelente fim de semana!

heretico disse...

não há bela sem senão...

magriça? quem diria... rss

invejável talento - o teu.

beijo

Maria João Brito de Sousa disse...

Rsrsrsrsrs, sou bastante mais "magriça" do que "anafada", Heretico... se agora me vires, talvez penses que não... porque tenho o corpo "forrado" por sete camisolas, um kispo, umas leggings de lã e três pares de calças... mas, sem essas "sobrecapas" todas, não há grande "volume"...
Que queres? A electricidade tem preços proibitivos para mim... e para muitos outros babilónios...

Abraço!

Maria João disse...


Muito, muito bom!!!!
Sinceramente, Maria João, vir aqui é receber uma lição de bem escrever!

Obrigada!!

Um beijinho

José Auzendo disse...


Olá Maria João

Fico orgulhoso, acredite, com o tempo e com as palavras que me dedicou. E que eu não valho.

E só quero dizer-lhe que foi precisamente na brasileira Expressão Mulher que eu me encontrei consigo pela primeira vez. Já tinha lido o seu nome "por aí", e a primeira pesquisa levou-me à EM. Só depois a "vi" nos outros sítios.

Auzendo

Maria João Brito de Sousa disse...

:) Obrigada, Maria João!

Este foi um daqueles sonetos que nasceu "de uma vez só", sem hesitações, ao correr da esferográfica, eheheh... porque estava mesmo sem computador... penso que só o último verso da última estrofe sofreu algumas mudanças... o inicial era "Pr`a se pintar da cor que lhe aprouvesse..." ... e poderia muito bem ter ficado assim... eu é que já vou estranhando não fazer umas correcçõezinhas e decidi mudá-lo no momento da publicação...

Beijo gde!

Maria João Brito de Sousa disse...

Não vale? Claro que vale, amigo Auzendo! Também investiu o seu tempo a ler o meu soneto e deixou-me parte de um poema da Cora Corlina... é claro que vale toda e cada palavra que lhe dediquei!

O pior é que este meu ecrã de monitor - "transplantado" para o portátil - está com uma imagem muito instável que treme que nem varas verdes... neste momento já nem consigo ler o que lhe estou a responder... terei de confiar na pontaria dos meus dedos sobre as teclas pois não sei se involuntariamente deixei escapar algum errozito...

Mas eu é que fico grata por me ter proporcionado uma oportunidade para falar um pouco sobre a estranha aparência desta minha tela que se chama" ESCORÇO - Grande pintora a lápis de cor".

Abraço!

José Auzendo disse...

Pois é, Maria João, eu ainda não tinha chegado ao "seu" 2008...Por essa altura andava muito "longe" disto. Agora percebo melhor ...

E sou dos que acreditam que quanto a Maria João é o escreve neste espaço.E que o escreve como poucos.

Um abraço

Auzendo

Maria João Brito de Sousa disse...

O meu grato abraço, amigo Auzendo!

rosa-branca disse...

Olá amiga, Simplesmente maravilhoso e fico sempre sem palavras ao lê-la. Posso dizer-lhe que li, reli e amei ainda mais e mais. Beijos com carinho

Maria João Brito de Sousa disse...

:) Muito obrigada, Rosa Branca!


Um grande, grande abraço!