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sexta-feira, 21 de março de 2014

ESPELHO MÁGICO, ESPELHO MEU...

Não era a minha face
que via nesse espelho...
era a de uma outra Alice
no país dos pesadelos
- a que se transmutava
ao sabor dos cogumelos
e sabia dar corda
ao relógio do coelho... -,
Não era a minha face, com certeza!

Era,
talvez,
a da Menina-do-Capuz-Vermelho
apaixonada por um lobo velho,
fugindo com ele do caçador malvado
- a avozinha
comprava os bolos no supermercado
e
todos os dias
dançava rock and roll na penumbra do quarto -...

da Bela-Adormecida
que nunca mais conseguia adormecer
e se deitava a escrever
cartas de jogo à Bruxa-Arrependida...



da Branca-de-Neve dos sete-mil-anões
devorando maçãs-desencantadas,
tentando acreditar
que nem tudo são desilusões...


da Princesa-dos-Sapatinhos-de-Cristal
a vir da discoteca às cinco e tal...


do Pinóquio,
sorrindo , no ventre da baleia,



ou
- quem  o sabe? - da Pequena-Sereia,
mas nunca a minha face!

Não era a minha face verdadeira!




Maria João Brito de Sousa - 1992/3

Imagem retirada do Google

12 comentários:

AC disse...

O saber constrói-se, não se adquire como quem recebe um rebuçado.
Muito bem, Maria João!

Beijo :)

Maria João Brito de Sousa disse...

Obrigada, AC! :)

Abraço!

Nilson Barcelli disse...

São os nossos olhos que nos ditam o que vemos e não um qualquer espelho mágico.
E é por isso que por vezes nem nos reconhecemos...
O teu poema é fantástico, gostei muito.
Maria João, tem um bom domingo e uma boa semana.
Beijos.

Maria João Brito de Sousa disse...

:) Obrigada, Nilson!

Este é um poema do início da década de 90 do século passado e corresponde a um período emocionalmente muito complicado, mas penso que, a este, o poderia ter escrito agora, em retrospectiva.

Vou até aí!

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

Por vezes vimos apenas o reflexo de um tempo que passou por nós sem ficar.
Lindo sempre e difícil de comentar, porque os sentidos vão além do poema.


Um beijinho com carinho
Sonhadora

heretico disse...

belíssima viagem ao "outro lado" do espelho...

o capuchinho vermelho fica-te muito bem. presumo...

beijo

rosa-branca disse...

Olá amiga, já comentei mas não sei se ficou. Quantas vezes nos vimos ao espelho e não nos reconhecemos. Lindo o seu poema que adorei. Beijos com carinho

Mar Arável disse...

Belos os espelhos da memória

Bjs

Maria João Brito de Sousa disse...

:) Obrigada, Rosa Branca!

Não me será possível "devolver-vos a visita", hoje. Anteontem estive praticamente todo o dia sem ligação à net e, ontem, foi mesmo o dia inteiro...

Muito embora tendo excluído, sem poder ler, dezenas e dezenas de mensagens da minha caixa de correio electrónico, ainda tenho muitas mais do que aquelas a que me será humanamente impossível responder...


Beijinho!

Maria João Brito de Sousa disse...

Neste poema, Sonhadora, falava do meu presente, naquele tempo. Agora posso fazer, sem dificuldade, uma leitura retrospectiva mas, quando o escrevi, falava de um passado tão recente quanto os últimos dias desse tempo... também com esses, nesse específico contexto, urgia acabar.

Obrigada e um abraço grande!

Maria João Brito de Sousa disse...

Heretico, suponho que sim, que o capuchinho vermelho me ficasse à maravilha, eheheheh...

Desculpe-me estar mesmo sem possibilidade de retribuir a visita. Prometo tentar fazê-lo se conseguir "orientar-me" neste oceano de mensagens que invadiu a minha caixa de correio enquanto estive sem ligação...

Abraço!

Maria João Brito de Sousa disse...

... o que se consegue fazer com uma auto-crítica objectiva e inteligente, Mar Arável... porque disso se tratava, sem dúvida.


Estou sem possibilidade de corresponder à visita... tentarei fazê-lo nos próximos dias, se a ligação não voltar a falhar continuadamente...


O meu abraço!